NEI LISBOA

Nei Tejera Lisboa, nasceu em 18 de janeiro de 1959, em Caxias do Sul e é um dos mais importantes músicos da MPB, idolatrado no sul do país, seu estilo musical combina uma rica mistura de ritmos e harmonias, com oito discos lançados nas últimas duas décadas, além de um romance editado no Brasil e na França, “Um Morto Pula a Janela”. Ingressou em 1977 no curso de Composição e Regência da UFRGS, porém sua carreira artística inicia-se somente em 1979, com os espetáculos "Lado A Lado" e "Deu Pra ti, Anos 70", em parceria constante com o guitarrista Augusto Licks, futuramente músico do Engenheiros do Hawaii. Seu primeiro disco é uma produção independente, Pra Viajar No Cosmos Não Precisa Gasolina, lançado em 1983. Um ano depois, em 1984, por intermédio da gravadora ACIT, ele lança seu segundo disco, Noves Fora. (Em 1992, a mesma gravadora reuniu em CD os dois trabalhos numa compilação intitulada Eu Visito Estrelas). Ao final de 1986 Nei assina contrato com a gravadora EMI-Odeon, que resultaria em dois discos: Carecas da Jamaica, de 1987, pelo qual recebe o Prêmio Sharp de artista revelação; e Hein?!, lançado em 1988, obra que também marca sua trajetória de forma indelével. (Ambos foram relançados em CD pela EMI, em 1999.) Em 1989, Nei celebra seus dez anos de carreira com a temporada do espetáculo "Dez Anos Antes... Dez Elefantes" e com o público de quase dez mil pessoas que assiste a comemoração. Em 1993, depois de algumas temporadas entre Porto Alegre e Montevidéu grava ao vivo no Theatro São Pedro o disco Amém, reunindo canções próprias e clássicos da música popular urbana uruguaia acompanhado por músicos daquele país, entre outros tantos brasileiros, é seu primeiro trabalho a sair simultaneamente em vinil e CD, distribuído pela Som Livre. (O CD é relançado em 1999, pela Paradoxx.) Em 1998 embalado pelo sucesso de Hi-Fi, um apanhado de clássicos da música pop e do repertório folk que influenciou o seu início de carreira nos anos 70, provoca uma onda de relançamentos dos trabalhos anteriores. Em 2000, Nei retoma a composição e, ao final do ano, assina contrato para a gravação de novo CD, Cena Beatnik, seu primeiro trabalho em estúdio depois de mais de uma década. Nei também teve suas músicas aproveitadas em vários filmes, como Deu Pra Ti Anos 70, Verdes Anos e Houve Uma Vez Dois Verões. Em Meu Tio Matou Um Cara, de Jorge Furtado, um dos temas principais é a canção "Pra te lembrar", de Nei Lisboa, na interpretação de Caetano Veloso. Relógios de Sol (2003) e Translucidação (2006) são seus últimos trabalhos.

 

DISCOGRAFIA

• Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina (1983)

• Noves Fora (1984)

• Carecas da Jamaica (1987)

• Hein?! (1988)

• Amém (1993)

• Hi-Fi (1998)

• Cena Beatnik (2001)

• Relógios de Sol (2003)

• Translucidação (2006)

 

Abaixo os dois poemas de Josane Peer que fazem parte, com mais 161 poemas de 94 autores de todo o país, da Antologia poética "Sentido Inverso" (Andross Editora), lançado no último dia 26 de julho na Casa das Rosas, em São Paulo, e que estará exposta durante a Bienal Internacional do Livro durante o mês de Agosto em São Paulo.

 

Flores de Saturno

Josane Peer

 

Corpos mistérios

Rimam-se em segredo

No oceano do espelho inverso

Imersas almas em seus sonhos tortos

Jardins das flores de saturno vestem

Eternidades de um segundo livre

Fragmentos da aurora Alada

Gemem e gozam de amores mórbidos

E infinitas vidas breves

 

 ***

 

O Contra No Mundo Dos Contrários

Josane Peer

 

O falso é verdadeiro e o erro é certo

Normal é absurdo quem vê é cego

O burro é gênio ruim é bom

De trás pra frente a cor sem tom

As paralelas não são mais

Os pontos eqüidistantes

A trajetória está completamente

Fora da rota oposta

Recorda-me de me lembrar

Antes que eu esqueça e me esqueça

As nossas mentes sob os nossos pés

Por sobre as cabeças

É que acabaram de subverter alei da lógica

De tanto andar pela contramão

Bateram o trem da história

Real é iludir correto é incerto

O claro é escuro

E o torto é reto

E quem for inteligente consciente

Sofre de demência

É sinal de que evoluímos todos juntos

Rumo a decadência

 

POEMA

Iderval Miranda*

 

mudos estamos

ante o longe horizonte.

 

somos naturais

e isso explica tudo.

 

e quem,

além da mão que semeia,

terá voz ante o apascentar

dos homens?

 

 

*IDERVAL MIRANDA nasceu em Feira de Santana-Ba, em 1949. Participa da Revista Hera (poesia), desde os seus primeiros números. Tem contos, poemas e artigos publicados em diversos jornais e revistas nacionais. É autor dos livros Taça de Tule (1975), Festa e funeral (1982) e O azul e o nada (1987). Leciona língua portuguesa na Universidade Estadual de Feira de Santana.

CINEMA

(Herculano Neto)

126 páginas

R$ 10,00

 

“Herculano Neto, com sua palavra, comprime tantos mundos que, ao menor gesto compreensivo da sensibilidade, ela ‘explode’ em suas mãos, em seu olhar, em sua consciência. Poeta de versos curtos e emoção intensa, cada imagem nos arrebata, num ritmo que prende a respiração e nos faz soltar um grito”.

Jorge Portugal

 

 

ONDE ENCONTRAR:

 

BANCA J.A. (Santo Amaro)

Atrás da Igreja do Rosário

 

LDM – Livraria Multicamp (Salvador)

Rua Direita da Piedade

 

TOM DO SABER

Rua João Gomes, 249
Rio Vermelho

 

FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO

(Pelourinho)

 

OU DIRETAMENTE COM O AUTOR

http://herculanoneto.blogspot.com

 

JOSANE PEER

http://www.myspace.com/josanepeer

Premiação na 3ª edição do Festival de Música Independente da GRC Music do Brasil,categoria Artista Revelação 2008,entre melhores artistas e bandas votados em meio a mais de 2440 pelos internautas.Dia 26 de julho, lançamento da Antologia Poética "Sentido Inverso,pela Andross editora,na Casa das Rosas (SP),onde duas obras foram selecionadas:"O Contra no Mundo dos Contrários e Flores de Saturno. E no último dia 29 de abril lançamento do Cd Festivais do Brasil,com a composição "Esperanças",no espaço Villaggio Café em São Paulo.

 

TREZE CANTOS DE CARIDADE

TREZE CANTOS DE CARIDADE

Jorge Bóris

 

I

No interior do ossuário de escombros

de quem fomos

sobre as paredes de lápides

desse repositório de sonhos e ilusões

em meio aos sacos de ossos recolhidos pelos coveiros

as garrinchas trançaram seus ninhos

e os guinchos dos seus filhotes

sorriem dessa vida humana e sem sentido.

 

II

Quem nunca pensou na morte

parou e desesperou diante do aniquilamento

tremeu ante a voragem do esquecimento

não terá que o aporte.

 

III

A necrópole da minha cidade

tem colunas antigas em seu fronte

e repousa no cimo de uma colina.

As cidades velhas têm isso

na magnitude da sua coroa de velhice

as jóias mais belas são feitas de horizonte

dizem bem do seu ofício de eternidade.

 

IV

É infinitamente significativo

que mesmo post-mortem as pessoas tenham

a obsessão da exatidão;

o vão propósito de fazer as coisas certas,

da maneira certa.

Mesmo seus jazigos mortais

são geometricamente venais

como a chuva do  universo interior

de cada ser vivo.

 

V

Nomes, nomes incontáveis nas lousas

alguns repetidos, outros estranhos e originais

- Mas o que é o nome?

- Uma palavra que te impuseram.

- Seco e ríspido assim?

- Carrega o nome que te deram.

Na realidade aparente das coisas

as palavras não pintam o rosto verdadeiro

das pessoas que fomos.

Deixa que os rostos mudos e anônimos

digam do tempo das coisas que já não são.

CONTINUAÇÃO

 

VI

Na face dos que já se foram

a eterna impressão

de que nunca mais o serão.


VII

Pelo que pode ser ou não,

no que o tempo tem de imponderável,

a tragédia pode não ser o morrer jovem

mas o viver miserável.

 

VIII

Um sepultamento,

são pessoas de encontro marcado

conduzindo seu próprio adiamento.

 

XIV

Vem uma velha e acende uma vela,

me espanta a aliteração barata das palavras,

me causa terror a espantosa realidade,

verdadeiramente mórbida,

de um fim de tarde comum.

 

X

A morte não pede silêncio:

o envolve no seu manto negro

e o leva também.

 

XI

No dia a dia

os noticiários anunciam

a poesia dos restos mortais

e a morte principia.

 

XII

O ainda não existirmos

será feito do mesmo nada

de deixar de existirmos?

 

Será na vida ou na morte da resposta

que saberemos.

Se existirmos.

 

XIII

As orações e lágrimas verdadeiras

com toda a sinceridade que repousa nas coisas,

não podem evitar que o vento

apague as velas que uma alma anônima

acendeu.

Assim também apagaremos.

  

IN MEMORIAN

Tia Jutaya

Santo Amaro, tarde de 01 de maio de 2007

???POR QUE VOCÊ FAZ POEMA¿¿¿

 

Novo blog de Herculano Neto

http://herculanoneto.blogspot.com

 

ESSENCIAL

 

 

 

Gravado originalmente em 1975, o álbum homônimo do lendário cantor e compositor pernambucano Di Melo, um dos pioneiros da geração soul no Brasil, infelizmente ainda é desconhecido do grande público e até mesmo de alguns ditos conhecedores de música brasileira. O disco conta com a participação do "bruxo dos sons" Hermeto Pascoal e do guitarrista Heraldo do Monte. Pra se ouvir no repeat sem arrependimentos.

 


1 .Kilariô (Di Melo)
2. A vida em seus métodos diz calma (Di Melo)
3. Aceito tudo (Vidal França - Vithal)
4. Conformópolis (Waldir Wanderley da Fonseca)
5. Má-lida (Di Melo)
6. Sementes (Di Melo)
7. Pernalonga (Di Melo)
8. Minha estrela (Di Melo)
9. Se o mundo acabasse em mel (Di Melo)
10. Alma gêmea (Di Melo)
11. João (Maria Cristina Barrionuevo)
12 .Indecisão (Terrinha)

TEU NOME MAIS SECRETO

Wally Salomão

 

Só eu sei teu nome mais secreto
Só eu penetro em tua noite escura
Cavo e extraio estrelas nuas
De tuas constelações cruas

Abre–te Sésamo! – brado ladrão de Bagdá

Só meu sangue sabe tua seiva e senha
E irriga as margens cegas
De tuas elétricas ribeiras,
Sendas de tuas grutas ignotas

Não sei, não sei mais nada.
Só sei que canto de sede dos teus lábios
Não sei, não sei mais nada.

CANTO DE AMOR E LAMA I

Erickson Luna*

 

Choveu
e há lama em Santo Amaro
nas ruas
nas casas
vós contornais
eu não
a mim a lama não suja
em mim há lama não suja
eu sou a lama das chuvas
que caem em Santo Amaro

 

Vosso scoth
pode me sujar por dentro
cachaça não
vosso perfume
pode me sujar por fora
suor nunca
porque sou suor
a cachaça e a lama
das chuvas caem
em Santo Amaro da Salinas

 

 

*ERICKSON LUNA, poeta, nasceu em Recife em 1958. Morou por muito tempo no Bairro de Santo Amaro das Salinas, comunidade de formação operária, palco de resistência e luta contra a opressão. Seus poemas são disputados pelos fanzines circulando pela cidade. Lançou o livro: Do Moço e do Bêbado que foi recebido e festejado por todos, sendo um dos eventos culturais mais concorridos do ano de 2004. No dia 22 de dezembro de 2006, durante a festa de comemoração do Natal dos Poetas Pernambucanos, lançou o livreto "Claros Desígnios" em parceria com o poeta Francisco Espinhara. Faleceu em 19 de abril de 2007.

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